quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

CONCUBINA CHINESA PLANEJA DAR ADEUS AO PADRÃO DE BELEZA AMERICANA

Texto publicado no G1 intitulado  IMPÉRIO CHINÊS DO CINEMA fala do interesse da China em investir em sua própria indústria cinematográfica. Não farei nenhum comentário à matéria jornalística, mas observações à margem.

O cinema é o grande produto de exportação cultural dos EUA e ainda um significativo gerador de riqueza.

Um filme, mesmo décadas após sua produção haver se encerrado, continua rendendo dividendos, seja por exibição na televisão (países de regime mais fechado econômica e politicamente demoram a exibir os filmes), seja por meio de licenciamento de subprodutos (gibis, camisetas, brinquedos etc).

Até hoje o cinema americano soube fagocitar os concorrentes e "americanizar" as produções estrangeiras que ofereciam algum embaraço na disputa da bilheteria.

Sem estender nos exemplos, recentemente isso ocorreu com.os remakes americanos de J-HORROR (O CHAMADO e O GRITO são os mais famosos, mas não os únicos).

No passado fizeram o mesmo com o giallo (um segmento do cinema italiano surgido na década de 70 e  criador dos serial killers [slasher movies], que fariam sucesso no cinema americano dos anos 80 com Jason do SEXTA FEIRA 13 ou Fred Kruger da HORA DO PESADELO). 

Aqui se tratou de uma apropriação estética e temática, não de refilmagem, como no exemplo anterior.

O subgênero citado acima foi criação de caras como Mario Bava, Lucio Fulci e Dario Argento (que já trabalhou em parceria com o George Romero, criador do marco de filmes sobre zumbi, NIGHT OF THE LIVING DEAD), entre vários outros. (Uma curiosidade: o Lucio Fulci em ZOMBIE é o responsável por uma das cenas mais famosa entre os fãs de filme de horror. A cena do “olho”.)

Também fizeram isso com o cinema expressionista alemão, com a nouvelle vague francesa etc etc.

Obviamente os EUA deram contribuições importantes à linguagem cinematográfica.  O faroeste, ressalvando que há os clássicos spaghetti (Sergio Leone se destaca), é subgênero tipicamente americano e contou com diretores do primeiro time como Sam Peckinpah (um dos favoritos do Tarantino).

A importância, não só estética como comercial do giallo, salta aos olhos quando vemos que um filme de 1980, CANNIBAL HOLOCAUST, do Ruggero Deodato, inaugurou o chamado de mockmentary (falso documentário de horror). Apesar de ser bem mais pesado que A BRUXA DE BLAIR a estrutura básica do roteiro deste foi copiada daquele. No mínimo, “inspirada”.

Bem, tudo isso é para dizer que se a China resolver realmente investir pesado na indústria cinematografia, além da guerra comercial agressiva que produzirá, haverá consequências estéticas, pois nesse campo os americanos sempre se mantiveram na dianteira pela facilidade com a qual assimilam a produção externa, incorporando e naturalizando os elementos alienígenas, obtendo como resultado a produção de filmes com uma linguagem tributária das lições estrangeiras, no entanto, com sotaque americano e mais palatável ao grande público.

A briga promete. Resta-nos escolher a poltrona e pegar a pipoca. Uns óculos 3D não são má pedida.

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