quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Uma notinha triste extraída de um jornal


Há pouco estava lendo uma reportagem publicada no jornal O Globo sobre o aproveitamento do Brasil no ranking de educação. A matéria de capa foi: “PAÍS AVANÇA, MAS AINDA ESTÁ ENTRE OS PIORES.”

O Brasil encontra-se na seguinte colocação: 58°, dos 65 países participantes. Segundo a matéria, fora o país cujo desempenho em matemática foi o melhor junto aos países avaliados entre os anos 2003 a 2012.

Ora, se os alunos tiveram maior desempenho no período retromencionado, este desempenho só se dá em relação a todos os países participantes. Sendo assim, os primeiros lugares avançaram para aonde? Os que igualmente ficaram acima do Brasil, avançaram para aonde? Em outros termos, se há ainda para aonde avançar, os países com desempenho melhor que o Brasil avançaram quanto, visto que estão nas melhores colocações! E, por outro lado, se os alunos brasileiros obtiveram melhor desempenho, é lógico que este desempenho está muito aquém do desempenho de outros alunos de outros países, senão o país não haveria de ficar na vergonhosa 58° posição.

Avança como? Se o país encontra-se entre os piores no ranking, distante apenas do último colocado sete posições. Só pelo simples aumento de 35 pontos na média de matemática? Sinceramente, não faz nem cócegas, se fizesse não ficava na posição que ficou, ou seja, na miserável 58°. Tenha paciência.

Ademais, a matéria fez-me lembrar do senhor Galvão Bueno gritando na TV: Rubens Barrichello cruuuza a linha de chegaaada em terceiiiro lugaar. Após, a vinheta: Brasiiiil.

Encerrando, não me recordo agora se foi Blaise Pascal, mas li algo assim (cito de cabeça): Colocamos um tapume nos olhos e caminhamos para o abismo sem saber que estamos caminhando para ele.


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O Amigo do Cáo





Homenagem ao meu amigo inesquecível, Caipira. 
Saudades suas irmão.





Para o meu grande irmão: Caipira.


"Um homem dura enquanto outros passam,
e passa enquanto outros duram." (Eric Voegelin)


Tenho conhecido algumas coisas:
o ranger do bambu-gigante
e o som de suas folhas,
o peso do metal na palma de minha mão,
a aurora,
o pôr-do-sol,
a noite que envolve,
o luar,
a morte,
a vida.

Tenho conhecido.

Conheci a esperança,
o sono até.
Mas nesse seguir inexorável
conheci também
o temor,
a vigília.
A minha estupidez,
conheci.

E entre um conhecer e outro, a pergunta que sempre me faço:
Que rio é esse que flui entre o que sou
e o que fui?

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Porto Alegre



Ao caminhar até a porta,
ficou algo, ouviste?

É já o tempo ido.,
amor.

Qual não!

Vi teus olhos após
e nestes se anunciava,
através dos meus,
a partida.

Caminhamos
até a estação.

Lá, me despedindo,
olhei para trás
e soprei-te um beijo,
como se vento fosse.

E quando já
não te via mais,
voltei.

Mas, naquele lugar de espera,
só restava a lembrança
de te ver em pé,
vendo-me partir.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Vento caxinguelê

Corre suave o vento sobre
as folhas banhadas do sol de verão.
E elas, em um balanço quieto,
vêm e vão.

Desarranja os cabelos da moça.
E ela certa de que os acertou,
desarranja-os ainda mais.
Deixa!

Ao mesmo tempo,
invade os cômodos
de uma casa velha, digo assim.
Vasculha de um canto a outro
e refresca a quietude alerta
das aranhas.
Também passa,
como se não passasse,
pelos distraídos que assistem
à televisão.

Entra e sai.
Vem e vai.

Qual um menino de um
lugar a outro,
e como tal brinca
com as folhas e
com os cabelos
das moças e
dos moços.

De longe,
escuta-se, que tempo,
meu Deus!
– Vento, vento
caxinguelê
cachorro do mato
quer me morder.

Ah! São os meninos
que se divertem
sob o colorido mágico
das pipas que
empinam no céu.

– Vento, vento...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Quanto pior, melhor

Depois de um longo dia de trabalho cheguei a minha casa e resolvi assistir à TV, canal pra lá, canal pra cá, enfim... De tanto rodar parei na TV Senado: uma gravação da Sessão Plenária do Senado Federal do dia 03.02.2011. Foi quando me deparei com o pronunciamento do senador Eduardo Suplicy, uma coisa de louco. Não obstante, fui resistindo aos trancos e barrancos às bobagens que pronunciava em defesa do assassino Cesare Battisti.

Em seguida ao pronunciamento do senador Suplicy, e eu já com os nervos em frangalhos, adveio outra figura tão esquisita quanto fora esquisita à do antecessor; nome: Inácio Arruda. Era pomposa a voz dele de locutor FM. Ocorre que falava, mas não dizia.

A seqüência parecia não ter fim. Continuei resistindo, contudo. O senador Paulo Davim aliava-se perfeitamente ao Suplicy e ao Arruda, pois ia fortalecendo os disparates destes, não porque os repetia ipsis litteris, não. Mas sim porque era incansável em sua retórica vazia.

De sorte que se não fosse o senador Demóstenes Torres, eu já começava a perguntar para Dante Alighieri: Ah! Dante por que não estás aqui para dar continuidade a tua obra magna? Qual não, desocupado leitor! Pois se acaso estivesse e conhecesse o congresso brasileiro, com certeza, haveria de aumentar o número de fossos do inferno.

Talvez me pergunte: por que você insistiu em ficar neste canal? Não, eu não insisti. Já mudei de canal. Aliás, eu já desliguei a TV.

E Já que a desliguei, encerro citando o ilustre Lima Barreto: tudo se tem de esperar neste país; mas, mesmo que uma desgraça aconteça, talvez seja útil, porque, quanto pior, melhor.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Vento, vento...

Corre suave o vento
sobre as folhas banhadas
de sol.
E elas, em um balanço quieto,
manifestam-se.

Desarranja os cabelos da moça.
Ela certa de que acertou,
desarranja-os ainda mais.

Ao mesmo tempo,
invade os cômodos
de uma casa velha,
vasculha de um canto a outro
e refresca a quietude alerta
das aranhas.

E passa também pelos
distraídos que assistem
à televisão.

Entra e sai.

Vem e vai
qual um menino de um
lugar a outro,
e como tal brinca
com as folhas e
com os cabelos
das moças e
dos moços.

De longe,
escuta-se:
– Vento, vento...
caxinguelê
cachorro do mato
quer me morder.

São os meninos
que se divertem
sob o colorido mágico
das pipas que
empinam no céu.
.
– Vento, vento...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O que vem de dentro

"... As cantigas são tão boas... Lavam as almas dos pecadores! Levam as almas dos pecadores." (Jorge de Lima)

Outro dia dei-me conta duma bobagem que, sinceramente, não sei se vale um tempo precioso para revelá-la, mas não sei por que cargas d’água resolvi expressá-la.
.
Bem,  a bobagem é a seguinte: o que vem de dentro é bom. Explico-me.

Começo pelo ato mais simples: ir ao banheiro. Que prazer sentimos nessa ação, quer dizer, ações, porque duas: número 1 e número 2. Não quero ter-me às minúcias, mas tão somente  à sensação de prazer.

Um outro ato simples, mas bastante expressivo, é o prazer de tirarmos uma meleca. Hummm, perdemo-nos esquecidos no tempo, distraídos, não é!

E o espirro? Quando espirramos sentimos um alívio, que nos faz desejar espirrar de novo.

E o que falar do vômito? Ressalte-se que não podemos confundir a sensação de bem-estar logo após vomitarmos, com a de não gostar de vomitar, são coisas distintas. O fato é que a vomição é reparadora.

Quanto ao riso, quem aqui já riu a ponto de sentir a barriga doer? O riso é reparador, nos expurga.

E o choro? Este também repara, lava nossa alma, retira de nós uma dor maior, ou ao menos a alivia. Aliás, riso e choro muitas vezes se confundem. Quando rimos em demasia, lágrimas; e do choro, risos.

Não nos esqueçamos ainda da vontade de comer e da sede. São sensações que vêem de dentro  e, uma vez realizadas, nos trazem também grande satisfação.

De resto, se faltou alguma BOA sensação é porque não me lembro. Ademais, quanto às coisas negativas, abstenho-me de falar.